Ouro de tolo é um mineral chamado pirita, com cor e brilho metálicos semelhantes ao ouro, fazendo com que muitas vezes mineradores se deixassem levar pelo engano, fascinando-se com a falsa ideia de que estavam de posse de uma riqueza. E o que isso tem em comum com a vida diária da sociedade? O engano, as falsas ideias e o fascínio por se permitir ludibriar.
Tudo começa pela percepção que construímos de nós, como nos definimos e nos qualificamos, consolidando em nosso mundo interno conceitos, muitas vezes rígidos e imutáveis, que nos caracterizam. Essa autopercepção, nem sempre é verdadeira e, por sinal, temos a inclinação de nos prendermos, justamente, aos aspectos que nos incomodam e que, de fato alteram de maneira importante aqueles quem somos realmente. Independentemente da forma, geramos um crédulo que nos identifica.
Somado a isso, e lembrando que não vivemos de maneira solitária e nem isolada, passamos a estabelecer comparações com as outras pessoas e, igualmente, construímos ideias sobre essas, valorizamos e retiramos créditos sobre o que observamos e desenvolvemos todo um conjunto criterioso de idealizações acerca daquilo que impomos ao perfil de cada uma delas, negativa e positivamente. Os atributos positivos passam a ser compensatórios, de transformamos as idealizações, em vezes, em idolatrias e sedentamente travamos tentativas recorrentes para alcançá-las e dirimir tudo aquilo que sentimos como não suficientemente bom dentro do que enxergamos em nosso EU. Estabelecemos uma dualidade: como eu me vejo e como vejo o outro, consequentemente, como eu me sinto em relação a mim e as demais pessoas.
É inquestionável que esse processo gera um dos grandes conflitos humanos para a consolidação de uma identidade forte e saudável: Comparações. E essas travam batalhas devastadoras, fragilizando a individualidade e, consequentemente, as relações coletivas. Por que razão? Por que a pessoa passa a apresentar um outro perfil, necessariamente não compatível com sua identidade real, que representa tudo aquilo que demonstra no sentido de como gostaria de ser vista, adotando e encorpando papeis e personagens numa tentativa de aproximação com aquilo que seu imaginário identifica, passa a desejar e determinar como sendo, idealisticamente, fundamental para seu modo de vida
Cada um de nós, em diferentes formas e intensidades, somos educados par termos cuidados e darmos atenção, ao outro, mais do que a nós mesmos e, assim, incorporarmos uma postura social para adequação e aceitação. Para esse grandioso desafio, precisamos adotar diferentes personagens para cada uma das situações as quais somos expostos. Igualmente, é necessário ir além da empatia e da compaixão, disfarçando muito do que sentimos e adotando formas diferentes para nossas reações espontâneas. Necessitamos para essa excelência desenvolvermos habilidades incríveis de observação para que leituras ditas corretas sobre as outras pessoas aconteçam e assim consigamos acolher a tudo e a todos. Isso se desdobra em uma absorção do fenômeno vida de outrem, um sofrimento relacionado a esse sentir e uma sobrecarga no sentido de dar conta de tudo aquilo que está ao nosso redor. Consequentemente, temos uma tendência, exponencial, para o autoabandono.
Essa necessidade de atendermos a expectativa do outro e nos sentirmos aceito, transforma a vida em uma enorme pirita, fazendo-nos tolo por querer viver a vida e responder aquilo que os demais almejam sobre quem somos e assim, vamos anulando a grande perspectiva em viver, verdadeiramente, a riqueza que se encontra dentro de nós. Geramos frustrações, minimizamos possibilidades, reduzimos sonhos e passamos a ser grandes estrategistas que objetivam e arquitetam projetos gigantescos que ambicionam alguma coisa, algum processo, sem uma solidez individual e sem um direcionamento específico ao desenvolvimento do EU e das relações espontâneas e que, verdadeiramente, aceitam o perfil de cada um.
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