Rigidez cognitiva é definida pela dificuldade em flexibilizar a forma de perceber, pensar e reagir aos estímulos do meio, provocando dificuldade, em diferentes intensidades, para a adaptação e a aceitação dos processos de mudança. Talvez possamos ampliar essa ideia.
A rigidez cognitiva deriva de um processo de pensamento. É uma ação comum a toda e qualquer pessoa, entretanto, quando nos referimos à rigidez cognitiva, há uma estruturação diferente. O curso do pensamento, ou, como as ideias fluem, acontece em um ritmo e direção próprias, específicas ao da pessoa com essa característica. As formas de pensamento são construídas em poucos alicerces, relacionados a focos de interesse restritos e que conduzem a forma de vida do indivíduo. E os conteúdos são recíprocos, quase que simbióticos a essa restrição motivacional.
Pessoas com rigidez cognitiva tendem a provocar uma alteração dos conceitos quando esses fogem do seu foco de determinação e estruturação de um modo de vida. A consequência é a construção alterado de juízo da realidade. Trago um exemplo aleatório. A pessoa não aceita que alguém falte a um dia de trabalho, desqualificando essa situação. Um dia um funcionário se ausenta em virtude de um quadro infectocontagioso e é demitido por essa pessoa por não conseguir compreender que todos os demais seriam contaminados.
Com esse e tantos outros exemplos semelhantes, podemos identificar alterações do raciocínio de pensar. Uma parte precisa ser igual ao todo, assim como o todo, necessariamente, precisa se igualar a parte. Um processo de impossibilidade em distinguir a sua forma de perceber e sentir, com a real necessidade e sentimento dos demais a sua volta. Uma situação derreísta, ou seja, que se opõe a outros fatos reais, além daqueles construídos na mente de quem tem a rigidez cognitiva, levando a uma característica de um pensamento vago, imprecisos e prolixo pela dificuldade em associar outros conceitos e possibilidades.
Precisamos ir além. A percepção e o pensamento são originados de um aprendizado, bem como de um conjunto simbólico de elementos ligados a memória. Agrega-se a essa base outro elemento nem sempre referido, que é a qualificação de todo esse conjunto dada pela carga afetiva projetada aos eventos vivenciados. Não é apenas não aceitar a pessoa faltar ao trabalho, mas, também, o que essa ação representa emocionalmente para quem tem a rigidez cognitiva. Aqui se observa uma intensa orquestração entre os conceitos teóricos com as representações emocionais.
As pessoas com rigidez cognitiva precisam, inquestionavelmente, permanecer em uma linha, imaginária, de convicção, alimentando, continuamente, sua sensação de satisfação através de estabilidade. A permissão de novas possibilidades, teóricas e emocionais, levam a uma oscilação ameaçadora para essa linha de convicção, provocando alterações no humor, desregulação emocional e, fundamentalmente, uma sensação de ameaça eminente. Pequenas e insignificantes mudanças podem levar ao mal humor e uma conduta tipicamente ranzinza. Quando há uma intensidade mais impactante, quadros de irritabilidade, até mesmo agressividade, verbal ou física. Um outro exemplo é sobre a pessoa que precisa diariamente, num mesmo horário, tomar seu café da manhã, com os mesmos componentes, a mais de 10 anos, para iniciar seu dia de trabalho. Não achar a colher para mexer o café leva ao mal humor, agora, ser chamado pelo vizinho para socorrer uma situação qualquer, impedindo-o de realizar seu ritual, pode levar a uma irritabilidade e a impossibilidade de conduzir as demais atividades necessárias para aquele dia.
A rigidez cognitiva faz com que a pessoa viva em grupos de pequenas ilhas, onde cada uma delas é composta por um tipo específico de conteúdo e respectivo sentimento. A intensidade disso faz variar o número de ilhas e a força com que essas atuam sobre a vida da pessoa. Analogamente, é como se uma orquestra esteve dividida em diferentes grupos de instrumentos, onde cada grupo toca uma mesma música em nota única, quando deveriam estar todos os grupos, unidos, executando a mesma peça na mesma nota.
O passar do tempo, sem um devido desenvolvimento para a flexibilização dessa rigidez, provoca prejuízos importantes na integração neuro cognitiva da pessoa, limitando diferentes habilidade e restringindo suas possibilidades de ação e de conquista e, principalmente, de interações sociais.
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