Não existem problemas, existem escolhas. Para muitos uma afirmação insana, porém, uma reflexão no mínimo didática. Sim, somos assolados por diferentes infortúnios e dificuldades diariamente, uma pauta natural relacionada ao fenômeno vida. O tamanho e o impacto desses não está nos fatos em si, mas na maneira como nos colocamos à disposição de os enfrentá-los. Isso não é insano, apenas, real. A dinâmica social nos mostra que a imposição sofrida dos problemas gera um número significativo de ausência de sentido para com a vida por parte de muitos humanos que habitam esse problema e, como afirmou Nitzsche, isso não é uma conclusão pessimista, entretanto, deveria ser um ponto de partida para um movimento de mudança.
Afinal, por que essa realidade tão cruel nos pertence ao ponto de desejarmos finalizar a vida?
A maioria quase que absoluta dos indivíduos que forma o conjunto social escolhem seguir comportamentos, maneirismos e reações emocionais vigentes, ou, também determinados, como socialmente aceitos. Buscam se identificar e serem, em essência, um grande todo, aniquilando suas individualidades e, acima de tudo, a grande essência que dá vida a cada uma das partes, pessoas, que forma o grande todo, a sociedade. Para isso acontecer, constroem ajustes, reproduzem imitações e se apropriam de diferentes máscaras para cada vez mais se sentirem próximos, preferencialmente, iguais, a tudo aquilo que é bem acolhido e aceito pelo conjunto maior à pessoa, o grupo.
Esse movimento gera um enaltecimento de tudo aquilo que é externo, que está fora daquilo que compõe o indivíduo e, gradativamente, passa a invalidar e a desqualificar o potencial e a realidade de cada uma das partes que efetivamente forma o grande todo social. Há um movimento de luta e fuga incansável, provocando uma fuga interna para anular o que se é e uma batalha interminável para se alcançar tudo, ou, o máximo possível pertencente aos demais. Cria-se uma falsa moral, onde tudo é bom e normalizado, menos aquilo que se pertence.
Agrava-se a essa ordem a consolidação, para não se falar, em um engessamento de valores. O devir do valor sobre o eu vai se fragilizando. Em contrapartida aquilo que não me pertence, mas é desejado, enaltece-se e passa a ser divinizado como algo tão grande e valorativo que o indivíduo passa a se esquecer e apenas a viver realidades que, necessariamente, não lhe pertencem, logo, não o satisfazem e não geram qualidade de vida. Aon contrário, fomenta frustração, insatisfação e vazio, aproximando-se apenas da falta de um sentido para sua vida, aliás, a vida social que em verdade não lhe pertence mais.
Em um determinado momento isso se constrói através do processo de educação e propagação de paradigmas sociais. Em seguida isso passa a ser meramente consequência sobre escolhas que optam em se manterem presas a essa média rasa de funcionamento e interpretação social. Ao se perceber essa equação, abandonamos a conclusão pessimista e, verdadeiramente, incorporamos a nova possibilidade para outro ponto de partida. Isso deveria ser a escolha. Por quê?
Resgataríamos nossa forma própria em exercer, viver, nossa própria vida. Teríamos a possibilidade em oferecer os nossos valores e assim somar, com todos, as novas possibilidades. Exporíamos nossas habilidades, nossa criatividade, as formas alternativas em pensar e realizar e uma infinidade de outros sentimentos, bem mais verdadeiros e essa somatória nos possibilitaria fazer com que todas essas diferenças, fossem, efetivamente, respeitas e não mais anuladas. E se isso não acontecesse tão plenamente, certamente, teríamos um número bem mais significativo de pessoas felizes e realizadas pelo simples fato de terem ressignificado seu sentido em viver.
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