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Reflexões sobre a condição autista tardia

Saber, Reconhecer que não Sabe, Ignorar e o Foda-se

Saber é uma ação que motiva e leva a pessoa a um movimento para alcançar e construir conhecimento sobre algo ou diferentes focos. Em virtude do processo de evolução humano e da história que se comprova ao longo dos séculos, poderíamos afirmar que nos reportamos a uma condição natural desse processo. Sobre aquilo que conhecemos sobre a trajetória humana, poderíamos dividir essa caminhada sobre dois pilares distintos. Primeiramente, nossos ancestrais atravessaram um longo período em busca de uma resolução de problemas relacionados a interação e a convivência junto ao meio ambiente em que estava inserido. Logo em seguida, incorporamos um segundo paradigma, presente até os dias de hoje. O homem passou a construir uma era sólida e intensa, voltada para a construção de problemas, levando à eclosão da inteligência e da soberania sobre qualquer outro ser vivo nesse planeta.

Dentro dessa sociedade, então, podemos encontrar pessoas que se direcionam e buscam o conhecimento pelo conhecimento, transformando parte dessas informações em algo útil, outra que permanece estagnada, como uma coleção de algum tipo de objeto e dando aptidão para responder e participar de competições sobre diferentes níveis de inteligência. Um grupo moderado que se torna eficaz quando solicitado ou necessário e que oscila entre um padrão passivo predominante e, ativo, conforme as conveniências impostas pela vida.

Desse grupo emerge uma derivação, ou um subgrupo. Pessoas que reconhecem que quando mais angariam conhecimento, menos sabem acerca dos fenômenos que participam da vida. Sócrates, filósofo Grego, a quem tenho profunda admiração, afirmava: “Só sei que nada sei”. Essas certezas o levaram a uma contínua e interminável indagação sobre todo e qualquer processo que participava sobre as transformações da vida. Aliás, questionava-se e contra-argumentava quaisquer pessoas que o questionava sobre algo. Essa premissa consolida um princípio de humildade e anulaas premissas relacionadas aos conflitos humanos, erguidos pela premissa das diferenças que compõe a individualidade de cada um e seu arcabouço de informações. Nessas pessoas conseguimos perceber a vivência real em relação a essência que define conhecimento, ou seja, o gosto que motiva a compreender e saber, uma avidez interminável. Infelizmente falamos no primeiro grupo e nesse subgrupo de uma minoria em relação ao grande todo social.

Verifica-se, infelizmente, que temos uma massa predominante nesse agrupamento de pessoas, que desgostam o conhecimento e que, logo, optam por ignorar a grande riqueza que forma a compreensão sobre tudo aquilo que estrutura e movimenta o meio em que vivem. Porém, não é esse o agravante da ignorância. O sujeito que ignora implora, miseravelmente, pela informação rasa, superficial, alimentando-se de hipóteses e pilares fragilizados constituídos da matéria prima do achismo. Isso os faz não ter certeza de nada, porém, crentes convictos sobre elementos desnutridos que supõem convicção, certeza e determinação para se seguir rumos e estabelecer discussões calorosas, carregadas de falácias e besteiras, como se fossem guloseimas responsáveis pelo transbordo de um tipo de prazer.

Em um empate quase técnico, paradoxal ao êxtase intelectual do terceiro milênio, pasmados, encontramos o grupo do foda-se. Quem são esses sujeitos? Pessoas que criam um conjunto de informações delirantes e insensatas, lutam arduamente pela transformação dessas merdas em verdades, para provocarem ilusões e deturpações sobre a mente de todos aqueles que são compulsivos por repasse de frases, que as tornam conteúdos e, efetivamente, em verdades absolutas, mesmo que nem empiricamente sejam, e estejam somente revestidas de absurdos e uma junção de letras e palavras sem sentido.

Constata-se isso na reatividade relacionada à postura de intolerância, visivelmente observada, na religião, na política, na saúde, nas religiões, nas diferentes etnias e em toda e qualquer congregação de diferentes conhecimentos que emergem dos grupos sociais.

Então, ergue-se a pertinente guerra sobre o ignorar. Aqueles que sabem, buscam se manter na posição passiva porque o conflito não leva, supostamente a nada. Os que reconhecem que não sabem, buscam questionar a todos numa tentativa de levar luz à escuridão. Os que ignoram se alimentam de maneira descontrolada com tudo aquilo que não é concreto, desenvolvendo uma obesidade intelectual mórbida e colocando álcool na fogueira acessa em todos os cantos por aqueles que querem que tudo se foda. Praticamente um circo.

Com essa dinâmica, com excelência, a humanidade vai angariando aquilo que mais almeja em seu processo evolutivo, a edificação contínua de problemas a serem resolvidos em instantes ou momentos futuros, propagando incansavelmente a falsa certeza de crescimento e aprimoramento das tecnologias e do conhecimento.

Nesse pandemônio, vamos todos, sem exceção, nos transformando num único bloco, em pandemônio intenso e progressivo, caminhando para o retorno de um nada, do desconhecido que necessariamente precisará nos reinventar.

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